Quando a localização do defeito é a principal informação
Conforme discutido no artigo sobre o diagrama de dispersão, essa ferramenta é amplamente utilizada na gestão da qualidade para investigar relações potenciais entre duas variáveis. No entanto, nem todo problema de qualidade está associado, primariamente, a relações estatísticas entre variáveis numéricas. Em muitos contextos, a localização do defeito no produto ou no processo é, por si só, uma informação crítica para a análise de causa.
Nessas situações, o diagrama de concentração de defeitos mostra-se uma ferramenta particularmente eficaz.
O que é o diagrama de concentração de defeitos?
Esse diagrama consiste em uma representação gráfica da unidade analisada — seja um produto, componente, equipamento ou área do processo — contemplando todas as vistas relevantes. Sobre essa figura, são registradas visualmente as ocorrências dos defeitos, normalmente diferenciadas por símbolos ou cores, de acordo com o tipo ou a natureza da não conformidade observada.
O objetivo central não é apenas contabilizar defeitos, mas identificar padrões espaciais de ocorrência. Quando um número suficiente de unidades é analisado, é comum que surjam concentrações recorrentes em regiões específicas, indicando áreas críticas do produto ou do processo.
Segundo Montgomery (2013), a análise desses padrões frequentemente fornece insumos valiosos para a identificação de causas potenciais, como falhas de ajuste, desgaste localizado de ferramentas, problemas de projeto, variações no método de montagem ou condições inadequadas de operação.
Diferentemente de ferramentas puramente estatísticas, o diagrama de concentração atua como um elo entre observação visual e análise analítica, sendo especialmente útil nas etapas iniciais da investigação, quando ainda se busca compreender onde o problema ocorre antes de aprofundar o porquê.

Figura 1 – Diagrama de concentração de defeitos aplicado a uma caixa de embalagem. Fonte: Elaboração do autor.
Na prática, essa ferramenta é amplamente utilizada em projetos Lean Seis Sigma, inspeções de qualidade, análises de reclamações de clientes e estudos de falhas repetitivas, contribuindo para direcionar esforços de investigação e priorizar ações de melhoria com maior probabilidade de impacto.
Referências
MONTGOMERY, D. C. Introduction to Statistical Quality Control. 7th ed. New York: John Wiley & Sons, 2013.


