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Causas comuns e causas especiais de variação

Marcelo Toledo • 4/01/2020 • 6 anos atrás

Em qualquer processo de produção — por mais bem projetado, ajustado ou mantido que seja — sempre existirá um certo nível de variabilidade inerente. Essa variabilidade natural, muitas vezes chamada de ruído de fundo, resulta do efeito combinado de inúmeras pequenas causas que atuam simultaneamente no sistema e que, na prática, são inevitáveis.

Quando essa variabilidade inerente é relativamente pequena e estável ao longo do tempo, considera-se que o processo apresenta um nível aceitável de desempenho. No contexto do Controle Estatístico de Processo (CEP), esse tipo de variação é denominado variação de causa comum, pois faz parte do próprio sistema produtivo.

O que significa estar sob controle estatístico?

Um processo é dito sob controle estatístico quando opera exclusivamente sob a influência de causas comuns de variação. Nessa condição, o comportamento do processo é previsível dentro de limites estatísticos, e eventuais oscilações observadas não indicam anomalias específicas, mas sim a variabilidade natural do sistema.

Entretanto, além dessa variabilidade inerente, podem surgir, de forma esporádica, outros tipos de variação associados a fatores como material, mão de obra, meio ambiente, métodos, máquinas e sistemas de medição. Essas variações tendem a ser significativamente maiores do que a variação natural do processo e, por isso, indicam um desempenho inaceitável.

Essas fontes de variação, que não fazem parte do padrão normal do processo, são denominadas causas especiais de variação.

O que significa estar fora de controle estatístico?

Um processo é considerado fora de controle estatístico quando opera sob a influência de uma ou mais causas especiais de variação. Nessas situações, o comportamento do processo deixa de ser previsível, exigindo investigação imediata para identificar e eliminar a origem da anomalia.

A distinção entre causas comuns e causas especiais é fundamental para orientar corretamente a tomada de decisão e evitar intervenções inadequadas no processo.

Quando e como atuar sobre as causas de variação?

Uma questão recorrente na aplicação do CEP é: quem deve atuar sobre as causas comuns e quem deve atuar sobre as causas especiais de variação?

De forma geral, as ações para tratar a variabilidade do processo podem ser classificadas em ações locais e ações gerenciais:

  • Causas especiais de variação
    Exigem ações locais, pois normalmente estão associadas a eventos pontuais, de grande impacto e relativamente fáceis de identificar. Um exemplo típico é a troca de um lote de matéria-prima fora de especificação.

  • Causas comuns de variação
    Demandam ações sobre o sistema, geralmente de responsabilidade gerencial. Essas causas são mais difíceis de identificar, exigem análise estruturada e, frequentemente, são tratadas por meio de projetos de melhoria, com uso de métodos estatísticos e investigação aprofundada do processo.

Tabela 1 – Exemplos comparativos de causas comuns e causas especiais de variação

causas comuns e especiais de variabilidade

Um alerta importante para gestores

Embora o conceito de causas comuns e causas especiais seja básico, ele é frequentemente negligenciado na prática. Muitos gestores acabam solicitando ajustes constantes em processos que estão sob controle estatístico, reagindo a variações naturais como se fossem problemas reais. Esse comportamento gera desperdício de tempo, aumento de custos, perda de credibilidade gerencial e, paradoxalmente, introduz ainda mais variabilidade no processo.

A atuação gerencial sobre causas comuns é essencial, mas deve ocorrer no momento correto: quando o processo está estável e, ainda assim, não atende às especificações do cliente ou gera perdas econômicas relevantes para a organização e para a sociedade.

Ferramentas do Controle Estatístico de Processo

O CEP é frequentemente associado a um conjunto estruturado de ferramentas para análise e melhoria de processos, entre as quais se destacam:

Essas ferramentas apoiam a identificação, a análise e o monitoramento das causas de variação, permitindo decisões baseadas em dados e não em percepções isoladas.

CEP também é atitude

Além das técnicas e ferramentas, o Controle Estatístico de Processo envolve um elemento frequentemente subestimado: a atitude organizacional. Trata-se do compromisso coletivo com a melhoria contínua da qualidade e da produtividade, por meio da redução sistemática da variabilidade. Sem essa postura, mesmo o uso correto das ferramentas estatísticas tende a produzir resultados limitados e pouco sustentáveis.



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