A resolução de problemas complexos tornou-se uma das competências mais críticas no cenário atual do mercado de trabalho. De acordo com o Future of Jobs Report 2025, publicado pelo Fórum Econômico Mundial, o mercado global passa por uma transformação estrutural impulsionada por avanços tecnológicos, inteligência artificial, transição energética, mudanças demográficas e incertezas econômicas.
O relatório indica que, até 2030, cerca de 39% das habilidades atualmente utilizadas pelos trabalhadores precisarão ser transformadas ou se tornarão obsoletas, o que evidencia a necessidade contínua de qualificação e requalificação profissional. Nesse contexto, organizações de diferentes setores enfrentam problemas cada vez mais interdependentes, multifatoriais e sem soluções óbvias.
Entre as competências mais valorizadas pelos empregadores em 2025, o estudo destaca que o pensamento analítico permanece como a habilidade mais demandada, sendo considerado essencial por cerca de 70% das empresas, seguido por competências como resiliência, flexibilidade, liderança e influência social . Todas essas habilidades estão diretamente relacionadas à capacidade de estruturar, analisar e resolver problemas complexos de forma sistemática e orientada por dados.
O relatório também aponta que as lacunas de habilidades são vistas por 63% dos empregadores como o principal obstáculo à transformação dos negócios no período de 2025 a 2030, razão pela qual 85% das organizações pretendem priorizar iniciativas de upskilling e reskilling de suas equipes. Esse cenário reforça a importância de métodos estruturados de resolução de problemas, capazes de conectar análise técnica, tomada de decisão e resultados sustentáveis.

Figura 1 – Representação da competência de resolução de problemas
Existem diversos métodos consagrados para a resolução de problemas, entre os mais utilizados destacam-se:
MASP
8D
PDCA
DMADV
DMAIC
No contexto do Lean Seis Sigma, a resolução de problemas complexos é tipicamente conduzida por meio do método DMAIC (Define, Measure, Analyze, Improve, Control).
O DMAIC é reconhecido como um dos métodos mais eficazes para a solução de uma ampla variedade de problemas, sendo aplicado com sucesso em empresas de diferentes portes e setores. Ele se integra de forma natural ao Lean Seis Sigma, cuja finalidade é tornar o negócio mais competitivo e sustentável, principalmente por meio da melhoria do desempenho financeiro, da redução de desperdícios e da diminuição da variabilidade dos processos.

Figura 2 – Ciclo DMAIC para a resolução estruturada de problemas
O DMAIC é um método iterativo e estruturado, voltado à resolução de problemas complexos e à melhoria contínua de processos. Embora seja amplamente utilizado em projetos Lean Seis Sigma, sua aplicação não se limita exclusivamente a essa metodologia. O DMAIC pode ser utilizado sempre que houver a necessidade de implementar melhorias — inclusive em situações cotidianas, como a organização de processos domésticos.
A seguir, apresentamos cada uma das fases do DMAIC e seus principais objetivos.
Na fase Definir, são estabelecidos o propósito, os objetivos, o escopo e o cronograma do projeto. Informações relevantes sobre clientes e processos são coletadas de forma abrangente, e as entregas (deliverables) esperadas para clientes internos e externos são claramente definidas.
Também nesta fase:
Identificam-se os stakeholders;
Seleciona-se a equipe do projeto;
Obtém-se a autorização do patrocinador (sponsor).
Project Charter
De maneira geral, essa fase responde ao o que será feito e qual resultado se espera alcançar. Um ponto fundamental é garantir que os projetos estejam alinhados aos objetivos estratégicos da organização, priorizando melhorias relevantes e viáveis.
Qual é o problema a ser tratado?
Quais clientes são impactados?
Quais fatores são críticos para clientes e processos?
Quais processos estão envolvidos?
Qual é o objetivo do projeto?
Qual é o prazo para alcançar esse objetivo?
A fase Medir tem como objetivo documentar o estado atual do processo e avaliar como seu desempenho se relaciona com as necessidades do cliente identificadas na fase Definir.
Os dados coletados estabelecem a linha de base do desempenho e permitem, ao final do projeto, comparar o cenário inicial com os resultados obtidos após as melhorias.
Mapa detalhado do processo
Plano de coleta de dados com definição operacional
Análise do sistema de medição
Análise do desempenho do processo
Plano de gerenciamento de riscos
O objetivo da fase Analisar é identificar e comprovar as causas raízes do problema, utilizando dados e análises consistentes.
Lista de potenciais causas raízes
Análises gráficas dos dados estratificados
Análises estatísticas
Lista de causas raízes comprovadas e avaliação de seus impactos
Embora várias causas potenciais possam ser identificadas, o foco deve estar nos poucos fatores vitais que realmente explicam o problema. Essa priorização é essencial para o sucesso do projeto.
A fase Melhorar tem como finalidade implementar contramedidas eficazes para as causas raízes confirmadas. Identificar causas sem implementar contramedidas não gera resultados sustentáveis.
Lista de contramedidas potenciais
Soluções validadas
Mapa de processo revisado
Análise de riscos (ex.: FMEA – Failure Mode and Effects Analysis)
Plano de implementação
Resultados de testes piloto
As contramedidas devem ser testadas e avaliadas. Caso não sejam eficazes, novas alternativas devem ser desenvolvidas até que o problema seja efetivamente tratado.
O propósito da fase Controlar é sustentar os ganhos obtidos durante a fase Melhorar, garantindo resultados de longo prazo sem interromper o ciclo de aprendizado e melhoria do processo. O controle não significa que o processo deixa de evoluir, mas sim que passa a operar de forma estável, previsível e monitorada, permitindo a detecção rápida de desvios e a adoção de contramedidas quando necessário.
Controles definitivos implementados
Plano de controle atualizado
Evidências de estabilidade e capabilidade de longo prazo
Validação da satisfação do cliente
Documentação de encerramento do projeto
Ferramentas como CEP, auditorias, checklists, análise de capacidade, padrões visuais e poka-yoke são fundamentais para monitorar o desempenho do processo e identificar variações indesejadas. Quando desvios são detectados, os controles podem e devem ser ajustados, assim como novas contramedidas podem ser implementadas, sempre com base em dados e critérios previamente definidos.
Dessa forma, a fase Controlar não representa o fim das mudanças, mas a transição do processo para um estado de gestão sistemática, no qual ajustes são feitos de forma controlada, evitando a reincidência das causas raízes tratadas no projeto.
As metas financeiras e operacionais foram atingidas?
Como a sustentabilidade das melhorias será monitorada ao longo do tempo?
Quais critérios indicam a necessidade de ajuste dos controles ou de novas contramedidas?
Quem é o dono do processo e como será feito o acompanhamento contínuo?
Quais envolvidos precisarão ser treinados ou requalificados?
Com a conclusão da fase Controlar, o projeto é formalmente encerrado, mas o processo permanece sob gestão ativa, com mecanismos que asseguram a manutenção dos ganhos e permitem respostas estruturadas a variações futuras, preservando o desempenho e estimulando a melhoria contínua.
O método DMAIC é indicado para:
A resolução de problemas complexos e estratégicos, especialmente aqueles sem solução conhecida, caracterizados por múltiplas causas, alta variabilidade e impacto relevante nos resultados do negócio.
Promover a resolução colaborativa de problemas
Atender às necessidades reais do negócio e dos stakeholders
Reduzir riscos de implementação
Desenvolver pensamento analítico e inovação
Dar visibilidade a talentos por meio de projetos de sucesso
Ampliar a visão de negócio de líderes e equipes
Embora muitas ferramentas sejam conhecidas por profissionais da qualidade, a estrutura do DMAIC, aliada ao foco na redução de desperdícios e variabilidade, torna o Lean Seis Sigma um método único e altamente eficaz.
O DMAIC integra ferramentas estatísticas, de melhoria de fluxo e produtividade de forma estruturada e orientada por dados, permitindo que as organizações atinjam seus objetivos estratégicos.
O Lean Seis Sigma é uma estratégia abrangente e eficaz para a melhoria de processos e produtos¹.
A redução de desperdícios promovida pelo Lean melhora fluxo e produtividade².
A redução da variabilidade promovida pelo Seis Sigma aumenta a qualidade, a precisão e a conformidade com as necessidades do cliente².
A formação em Lean Seis Sigma é indicada para profissionais que desejam liderar equipes, conduzir projetos de melhoria e gerar resultados relevantes utilizando a metodologia DMAIC.
Como Belt Lean Seis Sigma, o profissional desenvolve competências para atuar na resolução de problemas complexos, aplicando técnicas avançadas de análise de dados e estatística, impulsionando resultados organizacionais e sua trajetória profissional.
WERKEMA, C. Criando a cultura Lean Seis Sigma. Rio de Janeiro: Elsevier, 2012.
HANSEN, M. Lean Six Sigma: The StatStuff Way – A Practical Reference Guide for Lean Six Sigma, 2013.
WORLD ECONOMIC FORUM. The Future of Jobs Report 2025. Geneva: World Economic Forum, 2025. Disponível em: https://www.weforum.org/reports/the-future-of-jobs-report-2025/. Acesso em: jan. 2025.