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Gráfico de Pareto: priorização objetiva de problemas e causas

Marcelo Toledo • 3/01/2020 • 6 anos atrás

Na gestão da qualidade e na melhoria de processos, raramente é possível atuar simultaneamente sobre todos os defeitos, falhas ou fontes de desperdício identificadas em um produto, serviço ou processo. Restrições de recursos, tempo e capacidade analítica exigem que as organizações adotem critérios objetivos de priorização, direcionando esforços para aquilo que gera maior impacto nos resultados. Nesse contexto, o gráfico de Pareto destaca-se como uma das ferramentas mais tradicionais e eficazes da qualidade.

Segundo Slack, Chambers e Johnston (2009), o gráfico de Pareto é uma técnica relativamente simples que consiste em classificar problemas ou causas de problemas em ordem decrescente de importância, normalmente com base em sua frequência ou magnitude. Essa abordagem permite identificar, de forma estruturada, quais poucos fatores concentram a maior parcela dos efeitos indesejáveis observados em um sistema.

Fundamentos da análise de Pareto

A análise de Pareto baseia-se na constatação empírica de que, em muitos processos, um número reduzido de causas é responsável pela maior parte dos defeitos ou perdas. Essa relação é amplamente conhecida como o princípio 80/20, segundo o qual, tipicamente, cerca de 20% das causas explicam aproximadamente 80% dos problemas.

Embora os percentuais não devam ser interpretados de forma rígida, o princípio reforça uma ideia central para a gestão da qualidade: nem todas as causas têm o mesmo peso, e tratá-las como equivalentes tende a diluir esforços e reduzir a efetividade das ações de melhoria.

Originalmente, o gráfico de Pareto foi desenvolvido para estudar perdas na indústria, organizando-as da mais frequente para a menos frequente. Com o tempo, sua aplicação expandiu-se para diversos contextos organizacionais, incluindo serviços, logística, áreas administrativas e projetos de melhoria, mantendo sempre o mesmo propósito: estabelecer prioridades claras de atuação (Vieira, 2014).

Aplicações do gráfico de Pareto na melhoria contínua

Na prática, o gráfico de Pareto pode ser utilizado para:

  • Identificar os defeitos mais frequentes em produtos ou processos;

  • Priorizar causas de reclamações e insatisfação de clientes;

  • Direcionar esforços de redução de custos, retrabalho e desperdícios;

  • Selecionar temas com maior potencial de retorno para projetos de melhoria;

  • Apoiar decisões gerenciais baseadas em dados, e não em percepções isoladas.

A Figura 1 apresenta um exemplo de gráfico de Pareto aplicado à identificação das principais causas de devolução de produtos em uma indústria, ilustrando como poucas categorias concentram a maior parte das ocorrências.

Gráfico de Pareto

Figura 1 – Gráfico de Pareto aplicado às causas de devolução de produtos. Fonte: Elaboração do autor.

É importante destacar que o gráfico de Pareto não encerra a análise do problema. Ele indica onde concentrar esforços, mas não explica por que as causas prioritárias ocorrem. Por essa razão, após a priorização, é fundamental aprofundar a investigação por meio de ferramentas de análise de causa, como o Diagrama de Causa e Efeito (Ishikawa).

Como construir um gráfico de Pareto

Diversos softwares estatísticos e de apoio à qualidade permitem a construção de gráficos de Pareto. Entre os mais utilizados destacam-se o Microsoft Excel® e o Minitab®. Embora o Excel seja amplamente acessível, softwares estatísticos dedicados oferecem maior robustez, especialmente em projetos de melhoria mais complexos.

Neste artigo, utiliza-se como exemplo a construção de um gráfico de Pareto no Minitab®, seguindo os passos conceituais descritos a seguir:

  1. No Minitab®, a seleção apresentada na Figura 2 conduz à abertura da caixa de diálogo exibida na Figura 3.

Figura 2- Seleção do gráfico de Pareto no Minitab®

Figura 3 – Configurando os dados do gráfico de Pareto

2. No campo “Defeitos dados de atributo em”, devem ser informados os dados da coluna Motivo da devolução, enquanto no campo “Frequências em” devem ser informados os valores da coluna Quantidade devolvida.

3. Em seguida, a confirmação da operação por meio do comando “OK” gera o gráfico apresentado na Figura 4, o qual contempla:

    • barras ordenadas em ordem decrescente;

    • linha de porcentagem acumulada, que facilita a visualização da concentração dos problemas.

Figura 4 – Gráfico de Pareto do motivo de devolução

O resultado é um gráfico que permite identificar, de forma clara e objetiva, quais causas devem ser tratadas prioritariamente para maximizar o impacto das ações de melhoria.

Considerações finais

O gráfico de Pareto é muito mais do que um simples gráfico de barras com uma linha cumulativa. Trata-se de uma ferramenta fundamental de priorização e pensamento analítico, amplamente utilizada em programas de gestão da qualidade, Lean e Seis Sigma.

Quando aplicado de forma criteriosa, o Pareto contribui para decisões mais racionais, melhor alocação de recursos e maior efetividade dos projetos de melhoria. Seu uso consistente reforça a lógica de atuar sobre as causas mais relevantes, criando uma base sólida para análises de causa raiz e para a obtenção de resultados sustentáveis.

Referências

SLACK, N.; CHAMBERS, S.; JOHNSTON, R. Administração da Produção. 3. ed. São Paulo: Atlas, 2009.

VIEIRA, S. Estatística para a Qualidade. 3. ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2014.

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