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O que é Lean Manufacturing?

Marcelo Toledo • 7/02/2020 • 2 anos atrás

Lean Manufacturing ou Manufatura enxuta é o nome dado ao Sistema Toyota de Produção que tem na sua essência a identificação e a subsequente eliminação de desperdícios, com o propósito de melhorar a qualidade, reduzir custosaumentar a velocidade de entrega do produto aos clientes.

 

A manufatura enxuta é uma filosofia (ou seja, não uma metodologia, mas uma crença ou maneira de pensar) focada em melhorar a eficiência, como por exemplo, custo, fluxo e pontualidade. A ideia é alcançar o mesmo nível de eficácia (qualidade/precisão) em menos tempo ou com menos esforço.

 

De acordo com Womack e Jones (2010), existe um poderoso antídoto ao desperdício: o pensamento enxuto, que é uma forma de especificar valor, alinhar na melhor sequência as ações que criam valor, realizar essas atividades sem interrupções toda vez que alguém as solicita e realizá-las de modo cada vez mais eficaz.

 

Mas o que é ser enxuto?

 

Enxuto significa eliminação de perdas! No entanto, muitos executivos acreditam para isso basta treinar algumas pessoas nas ferramentas do Sistema Toyota de Produção, como heijunka, kanban, takt time, etc. e pronto,  agora basta aplicarmos tudo isso e nos tornaremos enxutos.

 

Infelizmente não é tão simples assim. Aprender uma determinada ferramenta da maneira como a mesma é aplicada na Toyota, não significa que qualificará qualquer pessoa a aplicar a ferramenta em seu ambiente de trabalho.

 

Mas isso não é exclusividade do Lean Manufacturing, o mesmo ocorre com o Seis Sigma.

 

As empresas treinam inúmeros belts por ano, que aprendem inúmeras ferramentas, testes de hipóteses, regressão linear, análise de variância, etc., mas quando voltam para a realidade de seu ambiente de trabalho fazem a seguinte pergunta. “Por onde começo?” E após alguns instantes começam a se lamentar. “Nos exemplos dados no treinamento o processo era diferente do nosso”.

 

O segredo é entender o conceito por trás do Lean Manufacturing

 

Infelizmente poucos absorvem os conceitos (a ideia central) que conciliados com as ferramentas apresentadas nos treinamentos permitirão as pessoas definirem um problema real e então, aplicar as ferramentas adequadas que fazem sentido para a sua realidade e resolver o problema.

 

Conhecer ferramentas, mas não saber porque usá-las e como usá-las, não faz o menor sentido! No entanto, essa é a realidade que enfrentamos em todas as áreas de conhecimento, do contrário não teríamos tantos erros médicos, recalls, acidentes aéreos, falhas mecânicas e elétricas, desabastecimentos, e por ai vai…

 

Agora voltemos ao Lean Manufacturing! Pra mim a base de tudo está na descrição de Taiichi Ohno, sobre seu trabalho na Toyota.

 

“Tudo o que estamos fazendo é olhar para a linha de tempo desde o momento em que o cliente nos faz um pedido até o ponto em que recebemos o pagamento. E estamos reduzindo essa linha de tempo, removendo as perdas que não agregam valor”.

 

Avaliando por esse ponto de vista, fica claro que sempre há perdas sem valor agregado que podem ser eliminadas!

 

Sempre haverá interesse em reduzir o lead time e em aumentar a eficiência do processo!!!

 

Redução do lead time e aumento da eficiência do processo

 

Essa é a premissa do Lean Manufacturing, identificar  e eliminar as perdas em todas as atividades de trabalho. Mas isso só é possível definindo adequadamente o problema e compreendendo sua verdadeira causa raiz, para implementar contramedidas realmente eficazes para essa causa.

 

Os 8 Desperdícios

 

São oito os principais tipos de atividades que não agregam valor em processos de serviços ou de manufatura:

 

  1. Superprodução
  2. Espera (tempo à disposição)
  3. Transporte ou transferência
  4. Superprocessamento ou processo incorreto
  5. Excesso de estoque
  6. Movimentação (deslocamentos desnecessários)
  7. Defeitos
  8. Não utilização da criatividade dos funcionários

 

Os 8 desperdícios

 

Do que depende o sucesso na aplicação do Lean Manufacturing?

 

Conforme Liker e Meier (2007), o sucesso absoluto na aplicação do Lean Manufacturing depende de três coisas:

 

1. Foco na compreensão dos conceitos que sustentam as filosofias do sistema enxuto, estratégias para implementação e uso eficaz de metodologias enxutas, em vez de foco na aplicação descuidada de ferramentas enxutas (kanban, 5S, etc.).

 

2. Firme aceitação de todos os aspectos do processo enxuto, inclusive daqueles que produzem efeitos indesejáveis de curto prazo.

 

3. Planos de implementação cuidadosamente concebidos que contenham a erradicação sistemática, cíclica e contínua das perdas.

 

Quais são os princípios do pensamento enxuto?

 

Neste momento você deve estar se perguntando quais são os princípios do pensamento enxuto. De acordo com o Womack e Jones (2010) são esses:

 

  • Especificar valor (aquilo que é valorizado pelo cliente) – definir o que é valor é o primeiro passo do pensamento enxuto. Valor deve ser definido pelo cliente e não pela empresa.
  • Identificar valor – deve-se analisar criteriosamente toda a cadeia produtiva e separar as atividades em três tipos: agregam valor, não agregam valor mas são necessárias para a manutenção dos processos e da qualidade e não agregam valor (desperdício puro).
  • Criar fluxos contínuos – o fluxo unitário de peças ou fluxo contínuo é a situação ideal, mas também é extremamente difícil de se obter e nem sempre é muito funcional.
  • Produção puxada – a produção passa a ser “puxada” pelos clientes, reduzindo estoques e aumentando a flexibilidade da empresa, ao invés de ser “empurrada” aos clientes fazendo descontos e promoções.
  • Buscar a perfeição – Todos os esforços da empresa devem ser em busca do aperfeiçoamento contínuo desenvolvendo novas formas de se criar valor.

 

De acordo com a literatura, o número de empresas utilizando o Lean Manufacturing vem crescendo significativamente em todos os setores, sejam eles de manufatura ou não. Porém, é importante levar em consideração que a implementação do Lean Manufacturing é trabalhosa e depende de uma mudança cultural na empresa.

 

Infelizmente, somente imitar um sistema utilizado na Toyota ou utilizar ferramentas Lean, não o farão obter sucesso absoluto na aplicação do Lean Manufacturing.

 

Referências

 

LIKER, J. K.; MEIER, D. The Toyota Way Fieldbook: A practical guide for implementing Toyota’s 4ps. New York, USA: McGraw-Hill, 2007.

WOMACK, J. P.; JONES, D. T.; ROOS, D. A máquina que mudou o mundo: baseado no estudo do Massachusetts Institute of Technology sobre o futuro do automóvel. Rio de Janeiro: Elsevier, 2004.

WOMACK, J. P.; JONES, D. T. Lean thinking. Banish waste and create wealth in your corporation. 2ed. Free Press, 2010.



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