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Mapeamento do Fluxo de Valor

Marcelo Toledo • 29/02/2020 • 1 ano atrás

O mapeamento do fluxo de valor nos últimos anos passou de um conceito conhecido somente no mundo da Toyota (Sistema Toyota de Produção), para ser amplamente aceito e utilizado por diversas empresas interessadas em entender seus fluxos de valor e desenvolver novos fluxos enxutos, reduzindo a linha do tempo entre o pedido do cliente e a entrega do produto ou serviço.

 

Um mapa do fluxo de valor (MFV) ou value stream map (VSM) é uma representação visual do fluxo dos materiais e informações para uma família de produtos.

 

É utilizado para analisar o funcionamento sistêmico de um fluxo de valor e esboçar estados futuros melhores.

 

Fluxo de valor é toda ação, agregando valor ou não, necessária para trazer um produto por todos os fluxos essenciais à sua fabricação: (1) o fluxo de produção desde a matéria-prima até os braços do consumidor; e (2) o fluxo do projeto do produto, da concepção até o lançamento.

 

Exemplo de MFV

 

Por que usar o Mapeamento do Fluxo de Valor?

 

O mapa do fluxo de valor é usado para identificar oportunidades de melhoria a longo prazo e reduzir o tempo de execução e desperdício.

 

Dessa forma, o mapeamento do fluxo de valor ajuda a equipe a identificar áreas problemáticas no processo, mapear o estado atual e oportunidades de ganho rápido, mapear o estado futuro para aumentar a velocidade e eliminar o desperdício e planejar melhorias de longo prazo.

 

Áreas problemáticas que precisam de melhoria

 

Em um processo de melhoria, mapear o fluxo de valor é uma etapa inicial crítica, pois ajuda a enxergar o todo, evitando o erro comum de melhorar pontos isolados do processo de fabricação, que não trazem os benefícios esperados do aumento de produtividade global e da redução dos desperdícios.

 

Além disso, o mapeamento do fluxo de valor também é utilizado para identificar gargalos e atrasos nos processos produtivos.

 

O mapeamento do fluxo de valor segue as seguintes etapas mostradas na figura abaixo.

 

Etapas iniciais do mapeamento de fluxo de valor. Fonte: ROTHER; SHOOK (2009)

 

O que o Mapeamento do Fluxo de Valor faz?

 

O mapa do fluxo de valor ilustra o fluxo de materiais e informações e identifica:

 

  • Etapas do processo.
  • Desperdícios.
  • Lead times.
  • Como o fluxo é conduzido.
  • Medidas de desempenho, tais como tempo de ciclo, tempo de espera, inventário, work in process (WIP), taxas de defeitos.
  • Oportunidades de melhoria.

 

Como faço o Mapeamento do Fluxo de Valor?

 

Primeiramente é necessário desenhar o estado atual, o que é feito a partir da coleta de dados no chão de fábrica.

 

Dessa forma, a partir do estado atual obtém-se a informação necessária para desenvolver um estado futuro. O desenvolvimento do estado atual e futuro são esforços superpostos.

 

Ou seja, a elaboração do mapa do estado futuro fornece informações a respeito do estado atual que não haviam sido percebidas e a elaboração do estado atual auxilia na visualização de um estado futuro.

 

Então, o próximo passo é elaborar um plano de implementação para alcançar o estado futuro. E, assim que o estado futuro é alcançado, um novo mapa do estado futuro deve ser elaborado, estabelecendo a melhoria contínua no nível do fluxo de valor.

 

Para desenhar o mapa do fluxo de valor são utilizados alguns símbolos pré-definidos, como os apresentados abaixo.

 

Principais símbolos utilizados no MFV

 

Nota: No entanto outros símbolos podem ser desenvolvidos, desde que sejam consistentes dentro da empresa para que todos possam desenhar e entender os mapas necessários para instituir a manufatura enxuta.

 

Alguns dados típicos de processo que são utilizados no mapeamento do fluxo de valor são:

 

  • Tempo de ciclo – T/C;
  • Tempo de troca – TR;
  • Tamanho dos lotes de produção – TPT;
  • Disponibilidade real da máquina;
  • Número de operadores;
  • Número de variações do produto;
  • Tempo de trabalho (menos os intervalos)
  • Taxa de refugo.

 

Conceito de valor agregado

 

A partir do conceito que valor é todo atributo que o cliente está disposto a pagar por ele. Os processos que compõem o fluxo de valor são classificados de três formas:

 

1.Realmente geram valor.

2.Não geram valor, mas são necessários para fabricar o produto/serviço.

3.Não geram valor e devem ser eliminados ou minimizados.

 

Classificação DNA do trabalho. Fonte: NARUSAWA e SHOOK (2009)

 

Mapeamento do Fluxo de Valor – Estado Atual

 

Uma dica importante, é que todos os colaboradores deveriam mapear o fluxo de valor por si próprios. Normalmente o mapa de cada colaborador será diferente de todos os outros.

 

Então, comparando os mapas e trabalhando em conjunto para chegar a um consenso, sua equipe de trabalho pode desenvolver o mapa mais preciso do fluxo de valor possível.

 

A seguir os passos para desenhar o mapa do fluxo de valor do estado atual:

 

1.Primeiramente reúna papel, lápis, borracha e um cronômetro para coletar os dados.

 

2.Em seguida, selecione um produto ou serviço para mapear. Na sequência conduza uma visita rápida pelo fluxo de valor para visualizar os fluxos de material e informação do inicio ao fim, certificando-se de que identificou todos os componentes do fluxos.

 

3.Posteriormente, identifique um cliente representativo do produto ou serviço em análise. Uma vez identificado um cliente típico, reúna dados sobre as quantidades típicas de ordens, frequência de entregas, e número de variações de produtos ou serviços.

 

4.Em seguida, comece a mapear o fluxo de valor, com os dados da necessidade do cliente, representando-o com um símbolo de fábrica no canto direito superior do mapa.

 

 

5.Em seguida, desenhe os processos básicos de produção representados por caixas de processo. O fluxo de material é desenhado da esquerda para a direita, na parte inferior do mapa na sequência em que os processos ocorrem e não da forma como estão dispostos fisicamente na planta.

 

Posteriormente na caixa de dados dos processos são colocadas as informações de tempo de ciclo, tempo de troca, número de operadores, tempo de trabalho disponível por turno, disponibilidade do processo e o tamanho do lote de produção TPT.

 

Fluxo de material

 

6.Indique onde o fluxo está parando e o estoque se acumula, utiliza-se um símbolo de triângulo de advertência, que mostra a localização e a quantidade de estoque.

 

 

7.Em seguida, represente a movimentação dos produtos acabados e das matérias-primas, entre a planta e o cliente, e entre os fornecedores e a planta, respectivamente. Para isso, utilize um símbolo de transporte como, caminhão, avião, navio, trem, etc., e uma seta larga.

 

 

8.Depois represente os fornecedores com um símbolo de fábrica no canto superior esquerdo do mapa, com suas respectivas caixas de dados.

 

 

9.Em seguida, desenhe o fluxo de informação da direita para a esquerda na parte superior do mapa. As informações fluem do cliente para uma caixa de processo que representa o departamento de programação e controle da produção (PCP) e dessa caixa para o fornecedor e para cada processo no chão de fábrica.

 

 

10.Anote os dados de operação para cada caixa de processo e triângulo de estoque.

 

11.Posteriormente, resuma as condições do fluxo de valor desenhando uma linha do tempo abaixo das caixas de processo e dos triângulos de estoque, para registrar o tempo que uma peça leva para percorrer todo o caminho no chão de fábrica (lead time), desde a chegada da matéria-prima até a liberação do produto acabado para o cliente.

 

 

12.Concluindo, adicione os tempos de agregação de valor ou tempos de processamento para cada processo no fluxo de valor. Normalmente o tempo de agregação de valor no produto é muito menor que o tempo gasto para percorrer todo o chão de fábrica (lead time).

 

Nota 1: Não trabalhe com sua memória. Ou seja, observe o fluxo de valor em ação. Entreviste colaboradores de todos os turnos, se aplicável. Além disso, verifique suas observações contra procedimentos documentados, roteiros, padrões e memorandos.

Nota 2: Registre exatamente o que vê sem fazer nenhum julgamento. Não perca tempo debatendo o mérito de uma atividade ou a sequência apropriada; apenas registre o que esta acontecendo.

Nota 3: O mapeamento do fluxo de valor usa a unidade de tempo segundos para o tempo de ciclo, o takt time e o tempo de trabalho disponível.

Nota 4: Use post-it para desenhar o fluxo de valor, que podem ser rearranjados facilmente até se obter um consenso, ou então, use lápis e borracha para desenhar e refinar seu mapa.

 

Exemplo de Mapa de Fluxo de Valor do estado atual

Mapeamento do Fluxo de Valor – Estado Futuro

 

Após o mapeamento do fluxo de valor do estado atual é necessário criar e implementar um mapa do estado futuro que elimine as fontes de desperdício e agregue valor ao cliente.

 

Portanto, a aplicação dos princípios do pensamento enxuto na elaboração do MFV do estado futuro, invariavelmente deve fazer com que a nova linha do tempo seja drasticamente menor reduzindo os custos e o lead time.

 

Alguns procedimentos para estabelecer um fluxo de valor enxuto para o estado futuro são:

 

1.Primeiramente produzir de acordo com o takt time. O takt time é a frequência com que uma peça ou produto deve ser produzido, baseado no ritmo de vendas, para atender a demanda dos clientes.

 

 

2.Acima de tudo, deve-se desenvolver o fluxo contínuo onde for possível. O fluxo contínuo significa produzir uma peça de cada vez, ou seja, sem paradas nas passagens de um processo a outro.

 

3.Além disso, é importante usar supermercados para controlar a produção onde o fluxo contínuo não se estende aos processos anteriores.

Muitas vezes há pontos no fluxo de valor onde o fluxo contínuo não é possível e portanto, é necessário produzir em lotes utilizando um sistema puxado baseado em supermercados.

 

4.Em seguida, deve-se tentar enviar a programação do cliente para somente um processo de produção, definido como processo puxador.

O uso do sistema puxado com supermercado, faz com que seja necessário programar somente um ponto no fluxo de valor, porque a maneira como se controla a produção nesse ponto define o ritmo para os processos anteriores.

 

5.Nivelar o mix de produção, ou seja, distribuir a produção de diferentes produtos uniformemente no decorrer do tempo no processo puxador, e consequentemente reduzir o lead time de atendimento de um pedido.

 

6.Além disso, também é importante nivelar o volume de produção através de uma puxada inicial com a liberação e retirada de somente um pequeno e uniforme incremento de trabalho no processo puxador, isto é, liberar continuamente uma pequena quantidade de produtos no processo puxador e liberar a mesma quantidade de produtos acabados.

Em outras palavras, essa prática é definida como retirada compassada e o incremento de trabalho de pitch, que é calculado pela multiplicação do takt time pela quantidade de peças ou produtos transferidos no processo puxador.

 

7.Em seguida, deve-se desenvolver a habilidade de fazer toda peça todo dia, depois todo turno, toda hora ou pitch; através da redução dos tempos de troca e produzindo lotes menores nos processos de fabricação anteriores ao processo puxador. Dessa forma, esses processos serão capazes de responder às mudanças posteriores mais rapidamente.

 

Nota: Após a elaboração do mapa do estado futuro, o mesmo deve ser executado rapidamente com o auxilio de um plano de implementação do fluxo de valor que descreva como pretende-se alcançar o estado futuro.

 

Referências

 

NARUSAWA, T.; SHOOK, J. Kaizen Express: fundamentos para sua jornada lean. Tradução de Lean Institute Brasil. São Paulo: Lean Institute Brasil, 2009.

ROTHER, M.; SHOOK, J. Aprendendo a Enxergar. Mapeando o Fluxo de Valor para Agregar Valor e Eliminar o Desperdício. São Paulo: Lean Institute Brasil, 2009.

 



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