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Lean Thinking (Mentalidade Enxuta)

Marcelo Toledo • 5/03/2020 • 1 ano atrás

A Lean Thinking (Mentalidade Enxuta) é uma abordagem que surgiu alguns anos após um projeto de pesquisa do Massachusetts Institute of Technology (MIT) sobre a indústria automobilística mundial realizado no final da década de 80, que ocasionou a publicação do livro “The Machine that Changed the World”, (“A máquina que mudou o Mundo”) – Womack et al 1990.

 

O estudo revelou que a Toyota havia desenvolvido um novo e melhor sistema de gestão nas principais dimensões dos negócios (manufatura, desenvolvimento de produtos e relacionamento com os clientes e fornecedores).

 

A partir desse momento o Sistema Toyota de Produção ficou conhecido como Lean Manufacturing.

 

Womack et al (1990) analisam esta inovadora forma de gerenciar a produção da seguinte forma:

 

  • Sistema produtivo integrado, com destaque no fluxo de produção e produção em pequenos lotes, baseando-se no “just in time” (a peça certa, no tempo certo e na qualidade certa) e em estoques reduzidos;
  • Proporciona ações preventivas de defeitos em vez da corretivas;
  • Atua com produção puxada (pelo cliente) em vez da produção empurrada que é baseada em previsões demanda;
  • É flexível, sendo organizada por meio de equipes de trabalho formadas por mão-de-obra polivalente;
  • Pratica um envolvimento efetivo na solução das causas de problemas objetivando a agregar mais valor ao produto;
  • Relacionamento de parceria intensivo desde o primeiro fornecedor até o cliente final.

 

Lean Thinking (Mentalidade Enxuta)

 

Posteriormente Womack e Jones (1998), criam o termo Lean Thinking (Mentalidade Enxuta), expandindo para qualquer empresa a possibilidade de aplicação dos conceitos apresentados anteriormente.

 

Alguns conceitos a respeito da mentalidade enxuta foram aplicados em diversas áreas, como indústria naval, construção civil, hospitais, serviços, logística, startups e outras, demonstrando assim que se trata de uma forma imparcial, utilizada em vários setores, que consegue atingir condições para a obtenção de valores mais expressivos no produto final.

 

Lean Thinking (mentalidade enxuta) na construção

Lean Construction

 

Lean thinking (mentalidade enxuta) em hospitais

Lean Hospital

 

Lean thinking (mentalidade enxuta) em escritórios

Lean Office

 

A lean thinking (mentalidade enxuta) pode ser definida como um conjunto de métodos e procedimentos que disponibiliza para as pessoas de todos os níveis de uma organização, ferramentas e formas de pensar, de modo a eliminar perdas durante os processos.

 

Segundo Womack e Jones (1998), a mentalidade enxuta é uma forma de especificar valor, isto é, de alinhar na melhor sequência as ações que criam valor, realizar essas atividades sem interrupção toda vez que alguém as solicita e de forma cada vez mais eficaz.

 

O cerne da lean thinking (mentalidade enxuta) consiste em “fazer mais com cada vez menos”. Menos equipamentos, menos tempo, menos espaço, menos esforço humano e concomitantemente, aproximar-se cada vez mais de oferecer aos clientes exatamente o que eles desejam.

 

A mentalidade enxuta é uma filosofia e estratégia de negócios para aumentar a satisfação dos clientes a partir da melhor utilização dos recursos.

 

A gestão lean procura prover, de forma consistente, valor aos clientes com os custos mais baixos, identificando e sustentando melhorias nos fluxos de valor, por meio do envolvimento das pessoas qualificadas, motivadas e com iniciativa.

 

O foco da implementação deve estar nas reais necessidades dos negócios e não na simples aplicação das ferramentas lean.

 

Os 5 princípios básicos da Lean Thinking (Mentalidade Enxuta)

 

Basicamente podemos entender que, a lean thinking (mentalidade enxuta) é fundamentada em cinco princípios básicos:

 

I. Especificar Valor para cada produto

II. Identificar o Fluxo de Valor para cada produto

III. Fluxo Contínuo (fazer o fluxo de valor acontecer ininterruptamente)

IV. Produção Puxada (deixar o cliente “puxar” a produção)

V. Melhoria Contínua (perseguir a perfeiçãoproduto sob medida, tempo de entrega zero, nada em estoque).

 

Tais princípios abrangem todo o fluxo de valor, pois possibilita formas mais racionais de administrar o processo de produção de um bem ou serviço com base na criação de valor para o cliente, por meio da eliminação do desperdício pelo uso adequado dos insumos disponíveis.

 

Em um sistema de produção enxuto esses cinco princípios são trabalhados simultaneamente com o objetivo de maximizar os resultados e minimizar as perdas.

 

Valor

 

De todos os princípios enumerados o primeiro é o alicerce para a aplicação dos demais e deve começar com uma tentativa consciente de definir precisamente valor em termos de produtos específicos, com capacidades específicas, oferecidas a preços específicos por meio de diálogo com clientes específicos.

 

Diferente do que muitos imaginam, não é a empresa, e sim o cliente quem define o que é valor.

 

Valor é tudo aquilo que os clientes consideram importantes em um produto e é o gatilho que faz o consumidor adquirir certo produto de uma determinada empresa.

 

Para o cliente, a necessidade gera o valor, e cabe às empresas determinarem qual é essa necessidade, procurar satisfazê-la e cobrar por isso um preço justo, a fim de perpetuar a empresa no negócio e aumentar seus lucros por meio da melhoria contínua dos processos, da redução de custos e da melhoria da qualidade.

 

Enxergar o produto final ou serviço pela perspectiva do cliente, conduz as pessoas à compreensão de como o valor é definido pelos verdadeiros responsáveis pela sobrevivência de uma empresa, que são seus consumidores.

 

Enfim, especificar o valor de maneira precisa com base nas reais necessidades dos clientes é o primeiro passo para a aplicação da mentalidade enxuta.

 

Fluxo de Valor

 

O próximo princípio consiste em identificar o fluxo de valor e para isso é necessário mapear todo o conjunto de atividades que levam um produto específico a passar pelas tarefas de desenvolvimento (da concepção até o lançamento do produto), gerenciamento da informação (do recebimento do pedido até a entrega), e transformação física propriamente dita (da matéria-prima ao produto acabado nas mãos do cliente).

 

Significa esmiuçar a cadeia produtiva e separar os processos em três tipos: aqueles que efetivamente geram valor; aqueles que não geram valor, mas são necessários para a manutenção dos processos e da qualidade; e, por fim, aqueles que não agregam valor (desperdícios), devendo ser eliminados imediatamente.

 

No entanto, apesar das empresas olharem para sua cadeia produtiva, a análise só é válida se considerar toda a cadeia e integrar as diversas empresas envolvidas em um acordo pelo enxugamento e racionalização de custos.

 

Dessa forma, as empresas não deveriam focar em reduções de custos não acompanhadas pelo exame da geração de valor por toda a cadeia, não se contendo em melhorar processos isolados, com impacto reduzido na percepção de criação de valor pelo cliente.

 

As empresas devem olhar para todo o processo, desde a criação do produto até a venda final (inclusive o pós-venda).

 

Fluxo Contínuo

 

Esse princípio esclarece que é necessário fazer com que as etapas que criam valor, fluam continuamente. Isso exige uma mudança completa de mentalidade, buscando quebrar a visão intuitiva de se enxergar as empresas por funções e departamentos, o que significa longas esperas para a passagem entre departamentos.

 

O fluxo contínuo significa produzir uma peça de cada vez, com cada item sendo passado imediatamente de um estágio do processo para o seguinte sem nenhuma parada ou desperdícios entre eles.

 

Segundo Rother e Shook (2009), após o valor ter sido especificado com precisão, o fluxo de valor do produto totalmente determinado e as etapas que não agregam valor eliminadas, chegou a hora de dar um passo muito importante na mentalidade enxuta, fazer com que as etapas que realmente geram valor, fluam em fluxo contínuo abrangendo o maior número de etapas do processo que for possível.

 

O efeito imediato da criação de fluxos contínuos pode ser sentido na redução dos tempos de concepção de produtos, de processamento de pedidos e em estoques.

 

Ter a capacidade de desenvolver, produzir e distribuir rapidamente faz com que a empresa possa atender à necessidade dos clientes quase que imediatamente.

 

Produção Puxada

 

Produção Puxada é produzir de acordo com a demanda dos clientes, permitindo que o cliente puxe o produto ou o fluxo de valor, reduzindo a necessidade de estoques e valorizando o produto, ao invés de muitas vezes empurrar produtos indesejados.

 

Esse conceito implica em uma inversão do fluxo produtivo, fazendo com que as empresas não mais empurrem seus produtos para o consumidor através de descontos e promoções (desovando estoques).

 

Puxar significa que um processo inicial não deve produzir um bem ou um serviço sem que o cliente de um processo posterior o solicite, embora na prática esse conceito seja um pouco mais complicado.

 

Na impossibilidade de não conseguir estabelecer o fluxo contínuo, conectam-se os processos através de sistemas puxados.

 

Melhoria Contínua

 

A melhoria contínua tem como foco a eliminação progressiva dos desperdícios e está fortemente ligada à assimilação total dos outros quatro princípios descritos anteriormente.

 

Fazer com que os quatro princípios anteriores atuem plenamente fornecendo valor, conforme definido pelo o cliente, sem qualquer tipo de desperdício, ocasionando uma redução de esforços, erro, tempo, espaço e custo, podendo ainda oferecer produtos cada vez mais próximos das necessidades dos clientes.

 

Apesar de não ser uma tarefa fácil, a busca pela melhoria contínua deve nortear todos os esforços da empresa e ser fortemente incentivada por todos os membros da cadeia (montadores, fabricantes de diversos níveis, distribuidores e revendedores) para que tenham conhecimento do processo como um todo, podendo debater e procurar continuamente melhores formas de se criar valor, a fim de alcançar a plena satisfação dos clientes.

 

Conclusão

 

Como você pode observar, o Lean Thinking é uma filosofia baseada em cinco princípios básicos (Valor, Fluxo de Valor, Fluxo Contínuo, Produção Puxada e Melhoria Contínua), que quando associados, geram grande sinergia em busca do aperfeiçoamento das operações. Porém a aplicação desses conceitos, requer uma profunda mudança de atitude da corporação e a da forma de agir de todos os envolvidos.

 

Referências

 

WOMACK, JP, JONES, D.T. e ROOS, D. (1990). The Machine that Changed the World: The Story of Lean Production. Rawson Associates, New York, EUA.

WOMACK, J.P. e JONES, D.T. (1996). Lean Thinking: Banish Waste and Create Wealth in Your Corporation. Simon and Schuster, New York, EUA.

ROTHER, M.; SHOOK, J. Aprendendo a Enxergar. Mapeando o Fluxo de Valor para Agregar Valor e Eliminar o Desperdício. São Paulo: Lean Institute Brasil, 2009.



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